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domingo, 6 de setembro de 2015

Pedido de socorro de prefeito brasileiro repercute na Bolívia – país vizinho mandou ajuda

O pedido de socorro do prefeito de Costa Marques/Rondônia, município situado às margens do rio Guaporé, ecoou na Bolívia e a ajuda chegou. Chico Território convocou a imprensa no dia 02/09 para dizer que a saúde do município havia falido, e não tinha mais como manter sequer os plantões médicos. O pedido de socorro foi ouvido pelas autoridades bolivianas que saíram de imediato em socorro.
A primeira medida do governo do Estado do Beni/Bolívia, foi enviar médicos para o vilarejo de Buena Vista para atenderem bolivianos e brasileiros. O atendimento ainda se limita a consulta clínica e alguns medicamentos, mas está prevista a instalação de ambulatórios e possivelmente sala de parto e cirurgia.
Buena Vista é um vilarejo pequeno e suas construções são de palafitas, em função de sua geografia, composta de terreno alagadiço. Porém, esses obstáculos estão sendo vencidos pela boa vontade dos vizinhos bolivianos.
No próximo dia 11/09, o prefeito de Costa Marques, Chico Território, vai se reunir com autoridades bolivianas em Madalena/Beni, município que faz fronteira com Costa Marques. A pauta principal da reunião é a discussão de um pacote de ajuda para a saúde de Costa Marques.
Para garantir o recebimento dessa ajuda em território brasileiro, o prefeito Chico está se cercando de embasamento jurídico e já se reuniu com o promotor da cidade, que prometeu apoio. Via de regra, médicos estrangeiros não podem atuar no Brasil sem previa autorização, mas como o caso é de emergência, Chico busca brechas na lei para receber essa ajuda.
Costa Marques tem cerca de 30% de sua população pessoas vindas do país vizinho, e a relação entres Brasileiros e Bolivianos na fronteira é muito harmoniosa e de cooperação. “As fronteiras são limites políticos, e jamais devem existir quando a questão é humanitária” defende Chico.


Prefeito de Costa Marques “joga a toalha” e diz que a saúde do município faliu

O prefeito Chico Território, do município de Costa Marques, convocou a imprensa na noite desta quarta-feira, 02/09, e disse que que a saúde do município faliu, e pede socorro às autoridades federais e estaduais. Segundo o prefeito, naquele momento em que dava entrevista não havia nenhum médico atendendo na rede pública de Costa Marques. 
Segundo o prefeito, o caos na saúde se arrasta há mais de dois anos no município, e há um ano ele declarou emergência e pediu ajuda às autoridades. Porém, ao invés de receber ajuda, recebeu mais multas e cobranças de antigas dívidas, herdadas da gestão anterior. Os 15% dos recursos municipais destinados à saúde não cobrem não as despesas, e os repasses federais vem com desconto de parcelamento de dívidas das gestões anteriores.
Chico também se queixou das condições do hospital, que precisa de reforma e disse que obras de ampliação estão paradas. Mas isso, segundo ele, reflete um problema mais profundo, mas que neste momento precisa de ajuda para manter o básico, como médicos de plantão e medicamentos de primeira necessidade. O município já está em atraso com pagamento de fornecedores, plantões médicos, empresas terceirizadas, detre outras despesas.
O município de Costa Marques perdeu quase R$ 300 mil por mês na arrecadação só neste ano, e o prefeito já não sabe mais o que fazer, a não ser jogar a toalha e pedir ajuda. “Eu não sei o que fazer. Já tentei de tudo. Reduzi despesas, cortei salários e cargos, mas não consegui manter a saúde”, lamenta Chico.
O fator que agrava a cada dia a situação caótica de Costa Marques, é o fato do município não conseguir as negativas necessárias para receber repasses de novos recursos – consequência de dívidas herdadas do mandato anterior - sendo obrigado a sobreviver com a própria arrecadação. Diante deste agravante, até o pedido de socorro do prefeito pode não chegar. 


domingo, 9 de agosto de 2015

Feliz dia dos Pais

E que todos estejamos preparados para a hora de "passar o bastão"  
Hoje e dia dos pais... De todos eles, não importa onde estejam!
Então, lembro-me aqui do Seu Lucas, meu velho que se foi.
Esteja onde estiver, que tenha encontrado a paz que nunca teve em vida.

E que um dia os filhos entendam que ser pai é circunstancial - antes de sê-lo se é humano e resultado do meio, produto da vida. Pai não é perfeito por isso não deve ser colocado acima de sua humanidade.

O que o faz especial e o fato de, apesar de humano e falho, tentar ser super, para suprir os filhos e cumprir a missão sagrada da procriação.

Meu avo se queixava de meu bisavô, meu pai se queixava de meu avo, eu me queixava de meu pai e meus filhos se queixam de mim. Espero que esse ciclo se quebre a ponto de meus netos não se queixarem de meus filhos.

Feliz dia dos pais a todos esses seres que aceitaram a missão de procriar e assumiram toda  a culpa disso.

quinta-feira, 30 de julho de 2015

Jovino Lobaz canta e encanta em Ji-Paraná


O musico vilhenense Jovino Lobaz fez um show para um uma plateia seleta em Ji-Paraná, na noite do dia 25/07. O evento foi uma degustação de vinhos para os alunos do curso de italiano do IHPEC, e Jovino foi convidado a apresentar músicas de sua autoria, dentre outras.

Em seu show, Jovino estreou o uso de um instrumento pouco conhecido, o ukulele, de origem Havaiana, e também tocou violão. Apesar do público restrito e não dispor de recursos tecnológicos, como caixas de som e microfone, o artista vilhenense agradou em cheio o público e já recebeu convite para show na cidade de Ji-Paraná, o “Coração de Rondônia”. 


Apesar de tocar em shows há 20 anos em Vilhena, Jovino está compondo e cantando suas próprias músicas. Com isso se tornou a grande revelação do momento no Conesul. Com 25 composições, o artista está ensaiando sua banda e prepara um mega show ainda para o final do ano.

quarta-feira, 29 de julho de 2015

Poeta vilhenense lança “Encantatóra”

Braz: meio século de arte

O livro “Encantatória”, do poeta e ativista cultural Bràz Dy Vinnuh será apresentado para Vilhena no dia 07 de agosto, próxima terça-feira, na livraria Café & Letras, na galeria Mirage. Vilhena é a segunda cidade onde o livro é lançado – a primeira foi Aracajú/SE, de onde ele me enviou este exemplar.
O livro é uma coletânea de 50 poemas do autor, em alusão aos seus 50 anos de vida. Braz atua como ativista cultural nas artes cênicas, escrevendo, dirigindo e interpretando, e artesão e ambientalista. Sua vida é inteiramente dedicada a sua missão. Cosmopolita, Braz percorre o Brasil e outros países da América do Sul fazendo o que gosta e acredita.

O livro já foi lançado em Aracajú/SE,
de onde ele me enviou este exemplar.

Para início de conversa:
“Meio século de história, metade de um ciclo de vida que ninguém se prepara para chegar. Um meio de verdades, nunca de mentiras. Meios de se ganhar a vida sem se prostituir e sem recaídas... Meio vagabundagens nunca corrompidas. Meio desespero. Entre dores e amores de passagem. Passagem é metáfora, meta-se com a tua vida, diria eu em tempos idos. Fazer o que se à poesia é permitido essa licença?” (Braz) 

segunda-feira, 27 de julho de 2015

Aula sobre degustação reúne amantes de vinhos em Ji-Paraná

A primeira degustação de vinhos promovido em Ji-Paraná aconteceu na noite de sábado, 25/07, na chácara do Bosque, da empresária Claudete Schneider Debarba. A cerimônia de degustação foi conduzida pelo Mestre e Doutor Nazareno Guerrini, da Apieron de Campinas/SP.
Participaram do rito 25 pessoas, dentre elas 16 alunos do curso intensivo de conversação de língua italiana, promovido pelo Instituto Haverroth (IHPEC) e ministrado por Guerrini. Durante a degustação os alunos tiveram a oportunidade de conhecer e identificar vinhos finos, como o Cabernet Sauvignon, Merlot, Tannat, Carménère, Chardonnay – nacionais, chilenos e argentinos.
Além da degustação e das aulas de conversação, os participantes vão fundar, nesta semana, o Circolo Italiano de Ji-Paraná. Com a vinda de Guerrini, a cidade vai ganhar, ainda, uma representação da Câmara Ítalo-brasileira de Comércio.
Esse é o primeiro passo para se abrir uma porta entre Ji-Paraná e a Itália, via Consulado Italiano de São Paulo. “Esse é um caminho de mão dupla, onde podemos usufruir de intercâmbios culturais, criarmos oportunidades de negócios e possibilitarmos, com isso, um maior desenvolvimento cultural e econômico para a região”. Afirma Guerrini. 


sexta-feira, 24 de julho de 2015

Escola do IHPEC está pronta e os cursos começam em agosto, em Ji-Paraná



Você ainda não tem uma profissão e gosta de comunicação, política e estatística? 

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Telefone 3421-0602"

terça-feira, 21 de julho de 2015

Babel e a língua universal

(Crônica publicada em 2007, na terceira edição do jornal "La Carta")
Dejanir Haverroth

Aquela noite foi histórica. Era um Domingo e reuniram-se no Restaurante Mariza, para jantar e chiacchierare, algumas pessoas ilustres presentes II Congresso de Professores de Italiano da Amazônia, em Vilhena.
Nazareno Guerrini era o anfitrião e, como um apaixonado por línguas, convidou diversas pessoas que dominavam outros idiomas. Ricardo (Animale) levou seu Mohamed Hussein (in memoriam), um cientista egípcio que viveu em Vilhena e falava árabe, francês, inglês, alemão e mais meia-dúzia de línguas estrangeiras; Cássia trouxe um dicionário de guarani e um cacique Nambikuara; Mary Labajos trouxe o tio Polico, um peruano bilíngue (fala espanhol e portunhol);  Jovino e Ângela tentavam arranhar um inglês que só fluiu depois da quinta taça de vinho tinto seco, mesmo assim ninguém entendia nada – até agora acho que els falavam alemão. Raquel estava perdida. Nem mesmo conseguia engatar uma conversa – naquelas alturas, ninguém mais queira falar português. Ivone e Gabriel falavam italiano.
Nazzareno falava com todos ao mesmo tempo, mas engatou um papo legal com Cássia e o cacique. Ele é apaixonado por língua indígena. Não havia outras pessoas no ambiente além dos convidados de Nazareno. O restaurante parecia uma torre de Babel. Todos falavam ao mesmo tempo enquanto esperavam a comida.
Eu cheguei mais tarde, já na hora em que era servido o jantar. Naquela noite eu estava responsável por levar uma encomenda especial para um dos visitantes mais ilustres do encontro. Estacionei a cheirosa (apelido da velha Parati empoeirada) do outro lado da rua, acompanhado com a “encomenda” atravessei a rua sem problemas – o trânsito parou. Todos olhavam a bela mulata de 1,75 de altura, cintura fina quadril e busto perfeitos, cabelos alisados e longos, boca larga e olhos grandes.
Entramos juntos no restaurante e os olhares se voltaram como em câmara lenta. Não se ouvia nenhuma voz por longos segundos, até que chegássemos à mesa. Apresentei Edileuza a todos, e ela se limitou a um sorriso, expondo sua arcada dentária que a faz magnética. Apenas a música de fundo tocava enquanto alguns ainda olhavam, boquiabertos, a mulata sentar-se, bem posicionada, à mesa.

A torre de Babel havia sido desfeita e todos pareciam entender-se, mesmo no silêncio. O jantar foi servido e, em seguida, Edileuza saiu muito bem acompanhada, sem ter trocado uma só palavras enquanto esteve ali. Tem coisas que mesmo nunca ditas, todos entendem.

"La Carta" foi um jornal criado por mim, com a participação de Jovino Lobaz, em São Paulo em 2004, por ocasião de um curso de aggiornamento para professores de língua italiana. 

O chá do cipó

(Crônica publicada em 2006, no jornal "Folha Fupespiana", da Fupesp)

Dejanir Haverroth 
Era uma tarde chuvosa de sexta-feira, 20 de janeiro (2006), quando saímos todos, rumo a Pimenteiras do Oeste. Durante a viagem o Professor Nazareno, conhecedor da Amazônia, falava de um chá milagroso, que transformava a alma da gente pelas florestas e rios, e dava, a quem o tomava, poder de descobrir segredos que nem a ciência imagina.
O chá é comum na Amazônia, e pode ser encontrado em qualquer comunidade ou tribo indígena, e só pessoas privilegiadas podem beber e “viajar”. Dependendo da capacidade de cada um, o chá pode levar a um passado muito distante, a outras vidas.
Ficamos curiosos com as histórias do professor e perguntamos se ele sabia como o chá era feito. Ele disse tratar-se de um cipó comum na região, chamado Mariri. Todos queriam provar o tal chá, mas não conseguíamos chegar a tempo, e o ritual só se repetia na outra sexta-feira. Não aguentei a curiosidade e fui atrás do tal cipó na mata. Pela descrição do professor, pensei ter encontrado a planta. Cortei alguns metros do vegetal, coloquei nas costas e parti para o alojamento. Disfarçadamente preparei um pouco de chá bem forte e mandei para dentro. Escondi-me de todos e fiquei em silêncio, esperando a tal ‘’viagem’’.
Nazareno havia dito que demorava cerca de meia hora para o chá começar a fazer efeito. Ele estava certo. Meia hora depois eu comecei uma série de viagens que demorariam pelo menos 12 horas para terminar. Conheci todos os cantos das florestas próximas, mananciais de água, bananais ou qualquer moita que tivesse por perto. Foi o maior piriri da minha vida. Quando acabou o papel higiênico, descobri até algumas funções que podem ter as ervas da floresta.

Disfarcei para que ninguém percebesse a minha humilhante situação, e procurei descobrir o que deu errado com o meu chá. Perguntei ao professor se o chá poderia causar outros efeitos, se não o alucinógeno, e ele explicou: existe outro cipó na mata, que se assemelha ao Mariri, mas trata-se de potente purgante, e só os ritualistas experientes sabem distingui-los. Essa foi a maior lição que aprendi com a natureza na Amazônia. 

O "Folha Fupespiana" foi um jornal criado por mim em 2006, por ocasião da vinda dos alunos da Universidade de Paulínea à Rondônia, em um intercâmbio. 

quarta-feira, 15 de julho de 2015

Primeiro resultado das aulas de italiano

Me empolguei um pouco e fiz essa tradução rápida da musica do Fagner "Somos todos índios"



terça-feira, 14 de julho de 2015

Recepção ao professor Nazareno Guerrini em Ji-Paraná Rondônia


Nazareno cumpre agenda em Rondônia até o dia 02/08, através de uma parceria entre a Apieron/Campinas e o Instituto Haverroth (IHPEC). Na ocasião serão feitas várias parcerias entre essas entidades, Câmara de Comércio Italo Brasileira, Apieron/Campinas e criado o Circolo Italiano de Ji-Paraná.

quarta-feira, 8 de julho de 2015

Notícia boa para os amigos do Nazareno Guerrini!!!!

(Amigos do Nazareno, marquem os nomes que lembrarem, para divulgarmos)

Atenção amigos do professor Nazareno Guerrini. Tenho uma ótima notícia!
O Nazarenno chega em Rondônia no dia 13, em Porto Velho, e à noite inicia um curso intensivo de italiano em Ji-Paraná. Ele vai ficar em RO até o dia 01/08.
Durante esses dia teremos, entre outras atividades, um churrasco pra os “Amigos do Nazareno” em nossa casa, em Ji-Paraná, ocasião em qua comemoraremos a fundação do Circolo Italiano de Ji-Paraná – data ainda a definir. Todos estão convidados para esse churrasco.
Faremos uma turnê pelas cidades de Cacoal, Pimenta, Vilhena, Colorado e Cerejeiras. Nessa ocasião contamos com os amigos destas cidades para nos receber com festa... rsrsrsrssr
Faremos também uma edição especial do jornal “La Carta”.


Buone notizie !!!!
Attenzione amici dele insegnante, Maestro Nazarenno Guerrini. Ho una grande notizia!
Il Nazarenno arriva in Rondônia il 13, a Porto Velho, e la serata inizia un corso intensivo di italiano a Ji-Parana. Lei rimanerà in RO fino 01/08.
In questi giorni avremo, tra le altre attività, un barbecue per gli "Amici del Nazareno" in casa nostra, a Ji-Parana, occasione in quanto commemora la fondazione del Circolo Italiano Ji-Paraná - data ancora da determinare. Tutti sono invitati a questo barbecue.
Faremo uma guida turística a le città di Cacoal, Pimenta, Vilhena, Colorado e Cerejeiras. In questa occasione aspetiamo che gli amici di queste città noi aspetti com vino e macarrone!!! ... rsrsrsrssr
Faciamo anche una edizione speciale del giornale "La Carta".

domingo, 28 de junho de 2015

Anatomia Política, 21 de junho de 2015

*Dejanir Haverroth

A “quase” reforma política do Congresso chegou a assustar, e ainda não acabou. As poucas mudanças já farão diferença. Assim que forem concluída e aprovadas todas as mudanças, farei uma coluna analisando o quadro político de Rondônia à luz das novas regras. Por enquanto ainda está “nublado”.
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Cacoal – Depois da “Plateias” a poeira começa a assentar em Cacoal. O povo agora entende o que estava acontecendo lá e se prepara para virar o jogo e fazer tudo novo em 2016. A Deputada Glaucione Nery está bem cotada, mas pode ter concorrente de peso. Um dos médicos mais queridos da cidade, Claudemir Borgui, pode ser o candidato do PMDB.
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A favor de Claudemir Borgui, além do carisma, fama de bom moço e caráter inquestionável, é sua militância na saúde. O povo reconhece a dedicação do médico pela melhoria da saúde pública no município. A população de Cacoal sente saudade do PMDB que governou a cidade nos tempos áureos, que também tinha uma bancada de vereadores muito atuantes.  
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Dúvida – Parece que não é certa a candidatura de Glaucione, agora com as novas regras da reforma política (especialmente a não reeleição para o executivo). Existem pessoas próximas a ela que consideram a possibilidade da deputada recuar nesse projeto. “Deixar um mandato tranquilo, como é o de deputado, para assumir uma prefeitura, correr o risco de ficar inelegível por “bobeira” é uma decisão que precisa ser bem pensada”, defendeu um de seus aliados em Cacoal. 
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Vilhena – O PMDB sofre uma das piores crises da história na cidade. A disputa pelo controle do partido ocorre no seio da família Donadon. De um lado o presidente da Câmara de Vereadores, Junior Donadon, vereador eleito pelo partido, foi candidato a Deputado Federal, e presidia o partido até este mês de junho. Do outro lado a Deputada Estadual Rosângela Donadon, apoiada por Melki e por Marcos.
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Na queda de braço Rosângela Donadon ganhou, mas o partido está dividido em três grupos em Vilhena. Um grupo ligado ao Melki, outro ao Junior e um terceiro grupo não apoia nem um, nem outro. Continuam no PMDB, mas não compactuam com nenhum dos atuais líderes do clã. Tem apenas um nome que poderia unir o PMDB no Conesul e dar a cadência – Natan Donadon. Apesar de estar preso na Papuda, em Brasília, Natan continua sendo o maior líder político da região.
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Jaru – A prefeita, Professora Sônia (PT), “ressuscita” politicamente depois da prisão do presidente da câmara por, supostamente, achaque. Pelo menos agora ela tem discurso e pode jogar a culpa de seus insucessos administrativos em alguém. Ela começa a ver uma luz no final do túnel da reeleição, mas tem muito que ajustar. Seu maior adversário, segundo seus eleitores, é ela mesma. “Ela precisa baixar a bola e vencer o orgulho e a vaidade”, me disse um amigo petista de Jaru, em tom de desabafo.
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Pimenta - Pimenta Bueno vive um momento de aparente calmaria. A família Mendonça se articula para se manter no poder, desta vez com o apoio do PMDB desde o início. O maior desafio para o grupo está nos bastidores. Se a “costura” for bem feita, elimina metade da força adversária. Caso contrário, um grupo muito forte pode se levantar e ameaçar a reeleição.
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Jean Mendonça tem a chance de unir, em um só palanque, uma legenda imbatível: Além de seu partido (PTB), poderá trazer o PMDB, o PSB, o PDT e até o PT. Se isso acontecer sobra muito pouco para a oposição. Porém, se não der certo, três partidos com expressividade política poderão estar juntos no palanque da oposição – PSB, PDT e PT.  
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O PMDB também é forte em Pimenta, mas sofre os problemas internos de conflitos de egos. Qualquer um membro do PMDB que queira ser prefeito de Pimenta terá que se preparar para duas disputas, ambas difíceis – a interna – com os companheiros de partido – e as urnas. É certo que o partido continue coadjuvante em Pimenta, por enquanto com o PTB.
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Em visita a municípios do interior do Estado, ouvi muita “choradeira” de prefeitos. As arrecadações diminuem a cada mês e, de maneira inversamente proporcional, as despesas aumentam. Os cortes nos gastos são inevitáveis, mas nem sempre possíveis. Tem muito prefeito querendo jogar a toalha e abandonar a política. Além disso, segundo eles, há muita perseguição do Ministério Público e qualquer erro pode custar caro.
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Eu afirmo sempre que política é “a arte do relacionamento”. A cada dia a história comprova isso. Nos municípios onde os gestores mantém um bom relacionamento com o Ministério Público não há perseguição ou pressão. Existe, sim, parcerias e cooperação. Não estou falando de relação “promiscua”. Estou falando de relação cordial, troca de informações, orientações. O que mais atrapalha os relacionamentos entre os poderes são os seguintes amigos: o ego, a arrogância, a prepotência e o orgulho. Cada prefeito tem, no mínimo, um desses “amigos”.  
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É claro que um bom relacionamento é uma “via de mão dupla”, depende de ambos os lados. A queixa de alguns prefeitos é que eles não têm chances de manter um bom dialogo com o MP. Nesse momento entra as estratégias de comunicação. Existem técnicas de comunicação que permitem quebrar barreiras e criar relacionamentos saudáveis e socialmente construtivos.    

Dejanir Haverroth
- Bacharel em Comunicação Social, especialista em Ciências Políticas, especialista em Assessoria de Comunicação, Trainer Internacional em PNL, Praticante de Coaching Quântico Sistêmico e COACH Político – Certificados reconhecidos por três entidades internacionais.


sábado, 20 de junho de 2015

Hora de agradecer

Bom Dia!
Agradeço a Deus por 47 anos de vida, aos meus pais e a minha família!
Agradeço aos amigos que me felicitaram pela passagem de meu aniversário – pessoalmente, por telefone ou nas redes sociais.
Quero dizer que sobrevivi! Não sei por qual razão os meus aniversários anteriores sempre vinham acompanhados de depressão. Este foi diferente.
Eu que, na infância, pensava que morreria cedo, cheguei aos 47 na melhor fase da minha vida. Todas as “pedreiras” que passei valeram a pena. Tem mais pela frente, mas a experiência vai me ajudar a vencê-las também.
Lembro que antes dos 16 eu rezava para viver até eu experimentar o que eu achava (e ainda acho) a melhor coisa da vida: a mulher. Deus me deu a graça de namorar muitas mulheres, de todos os estilos e “com algumas até certo tempo fiquei” e com outras tive filhos.
Depois dos 16 eu rezei para conseguir cumprir três missões: plantar uma árvore, ter um filho e escrever um livro. Árvores eu plantei centenas, filhos eu tive cinco e livro já tenho um escrito - falta imprimir e divulgar. Penso que não será o único.... vem mais por aí.
A vida é uma constante viagem, cujos destinos nem sempre sabemos. As missões nos são dadas pelo caminho e só então entendemos o porquê estamos ali, naquele lugar, naquela hora.
Que venham novas e desafiadoras missões, para que a vida continue valendo a pena.  

sexta-feira, 12 de junho de 2015

Aprenda língua Italiana em 20 dias

Você quer aprender a falar Italiano em tempo recorde?
Além de aprender a falar em apenas 20 dias, você vai participar da fundação do Circolo Italiano de Ji-Paraná e ainda vai concorrer a bolsa de estudos na Itália.
O Instituto Haverroth esta trazendo para Ji-Paraná uma oportunidade inédita, aproveite!
Existe um mundo lá fora, e as portas se abrem quando você conhece uma outra língua!
Procure o IHPEC, na Rua Terezina, esquina com T3 ou pelo telefone 3421-0602
Vieni con noi!
Arivederci!   

sexta-feira, 5 de junho de 2015

Dez questionamentos para quem quer entrar na política

As eleições municipais se aproximam...

1 - Você sonha em ser um político de sucesso?
1.1(  )Sim  1.2(  )Não
2 - Você sabe tudo sobre seus próprios potenciais, seu publico e seus concorrentes?
2.1(  )Sim  2.2(  )Não
3 – Você sabe como montar uma equipe eficiente de assessores?
3.1(  )Sim  3.2(  )Não
4 – Você sabe como lidar com as mídias publicitárias e a imprensa?
4.1(  )Sim  4.2(  )Não
5 – Você sabe como preparar uma equipe competente e eficiente? 
5.1(  )Sim  5.2(  )Não
6 – Você sabe quais profissionais são importantes em uma equipe de assessores?
6.1(  )Sim  6.2(  )Não
7 – Você sabe que um assessor mal preparado pode atrapalhar a sua carreira política?
7.1(  )Sim  7.2(  )Não
8 – Sabe qual é o seu publico? Qual o perfil e o que eles pensam? Quais as suas necessidades?
8.1(  )Sim  8.2(  )Não
8 – Você sabe quais argumentos são adequados para o seu publico? 
9.1(  )Sim  9.2(  )Não
10 - Você sabe falar em público?
10.1(  )Sim  10.2(  )Não

Resultado: Se você respondeu um ou mais “não”, você pode precisar de nós. 
Faça contato! ;)

domingo, 24 de maio de 2015

Deja Beija Tereza

Dejanir Haverroth
Eu e meus cinco filhos visitando o senário de minha infância
Dizem que quando envelhecemos vamos de encontro às memórias mais profundas, de quando éramos crianças. Vamos à busca da nossa criança interior, perdida, esquecida ou sufocada no auge da força da vida adulta. Esse reencontro é o auge da vida, quando juntamos a experiência com a pureza, a alma e a essência verdadeira - o que nós somos de fato, no cerne de nossa identidade. Nesse período parece que não sonhamos mais, enquanto dormimos. Os sonhos são substituídos pelas memórias das coisas boas que vivemos. Das coisas que realmente fizeram sentido na vida e fazem parte de nosso “eu” mais profundo.

Tudo o que fizemos na vida adulta, erros ou acertos, vitórias ou fracassos, é resultado de nossa luta pela sobrevivência. O afã de ser útil, de competir, mostrar força, deixar legados, deixar descendentes. Nesse período esquecemos quem somos e competimos para provarmos que somos capazes. Queremos “Ser alguém”. É uma pena que a vida não vem com um manual de instruções.  Precisamos viver para aprender que já “somos alguém”. Temos que viver coisas complexas para entendermos as simples.

Não sei por que, mas o mês de maio me traz muitas lembranças. Sobretudo de uns anos pra cá. Penso que meu relógio biológico quer me dizer alguma coisa. Hoje, depois de almoçar uma macarronada com meus filhos e amigos, fui sestear. Não havia bebido nada além de água, mas sentia um sono tão profundo que parecia mergulhar em mim. Embora o clima estivesse fresquinho (coisa rara em Ji-Paraná), eu me deitei sem me cobrir e liguei o ar condicionado. Adormeci em seguida.

Quando entrei no sonho fiz um mergulho profundo em minha infância. Como em uma viagem ao passado. Aterrissei em um potreiro (cercado de pasto) onde brinquei toda minha infância. Naquele momento eu brincava em baixo de um pessegueiro com outras crianças. Eu tinha três anos de idade, talvez. Próximo dali um paiol onde morávamos temporariamente. Minha mãe desmanchou a casa velha para forçar meu pai a construir a nova - a madeira estava toda pronta, no terreiro.

Embaixo de pessegueiro estava eu, a Tereza, sua irmã Maria e o Nande Franciozi. Perto dali minhas irmãs mais velhas e meu irmão, que cuidavam da Vana, minha irmã bebê. No terreiro do paiol minha mãe tomava chimarrão com a Nona Franciozi. Era de tardezinha e o frio do inverno chegava de mansinho. O dia era curto e lembro que o sol ameaçava se esconder por detrás da serrinha dos pinheiros do Írio. Do outro lado se via longe, além do vale, e o sol refletia na igreja da Floriza. Era o momento mais belo do dia. O cheiro da batata assada no forno a lenha anunciava a hora de reunir todos para comer.

Nesse senário comum de minha infância tinha uma coisa que eu ainda não conhecia. Todo esse romantismo e o desejo pulsante de viver a vida, que estava começando, me fez perceber que além de tudo aquilo, havia uma beleza que, a partir daquele dia, passaria a apreciar. Com pureza no coração e uma afetividade que até hoje carrego no peito, convidei Tereza, que brincava comigo debaixo de pessegueiro, para comermos batata doce quentinha, recém saída do forno a lenha. Ela me olhou tímida e eu a abracei e beijei seu rosto. Em minha inocência, queria incentiva-la a vencer a timidez.

Aquela foi uma das primeiras cenas da novela de minha vida. Teve poucos expectadores, e eram justamente meus irmãos. É a memória mais marcante e a base de minha identidade consciente, e eu tinha testemunhas. Por conta disso, eu sentiria o “peso” daquele beijo a partir do dia seguinte. Naquela hora lanchamos, Tereza e suas irmãs foram pra casa e logo nos lavamos na gamela e fomos para dentro de casa. No inverno as crianças se recolhem cedo para evitar resfriados e outras doenças trazidas pelo frio.

A vida era tranquila naquele sítio em Nova Prata do Iguaçú. Foi ali que eu nasci - na casa que minha mãe havia desmanchado para dar lugar à casa nova.  Lembro como se fosse hoje a velha casa. Minha mãe se admira quando eu conto com detalhes minhas primeiras memórias da infância e que me levam a uma velha casa. Eu devia ter dois anos de idade. Era uma casa alta do chão, apoiada em troncos de madeiras. Lembro-me da cozinha - para entrar havia uma escada bem alta, e da cozinha para o restante da casa tinha outra escada, um pouco menor, onde minha irmã Ade, sentava para dar mamadeira à outra, recém-nascida.

Do outro lado da sanga moravam duas famílias. Os Franciozi e os Varalli. Seu Ernesto Franciozi tinha muitos filhos, dentre eles várias meninas, todas muito bonitas. A Nona Franciozi, mãe de Ernesto, era bem velhinha e andava bem corcunda, apoiada em um bastão. Morava sozinha, numa casinha perto do filho. Os Varalli também tinham varias mulheres, todas bonitas, e um menino, Moacir, com quem fizemos fortes laços de amizade. Os varalli também tinham uma matriarca – a Nona Varalli. Ela era procurada por todos os moradores da redondeza para fazer xaropes, rezas e partos. Era nossa curandeira.

Mais perto de casa, do outro lado da cerca do potreiro, havia um rancho à beira-chão, coberto com lascas de madeira. Ao lado um pinheiro e aos fundos um açude. Ali morava uma família de caboclos. Seu João e seus filhos, dentre eles três meninas: Jandira, a mais velha; Maria, a do meio e Tereza, a mais nova - com a minha idade. Nossa relação de amizade era forte. Quase todos os dias nos encontrávamos para brincar – no potreiro, no paiol ou nos montes de palhas de milho ou feijão, no meio da roça.

O barraco do Seu João era muito simples, porém muito alegre. Eles não tinham rádio de pilha, mas nem precisava – eles cantavam o dia todo. Toda a família cantava e ouvíamos lá de casa. Todas as noites eles acendiam uma fogueira do lado de fora da casa. Diziam que era para proteger de insetos, cobras e outros animais, além de aquecer nos dias frios. Em volta da fogueira sempre tinha batata doce, pinhão ou milho verde, assados nas brasas.

Era uma vida simples que eles levavam, mas nada faltava - muito menos calor humano.  Embora minha família fosse descendente de alemães, nunca tivemos preconceito racial em nossa família. Nunca ouvi de meus familiares alguém dizer que éramos melhores que os outros por conta de “raça”. Também não éramos capitalistas e não olhávamos as pessoas com base em sua condição financeira.  Minha mãe é cabocla violeira e meu pai (in memoriam) um ex-seminarista. Tínhamos muito em comum com aquela família, portanto nossa convivência era muito harmoniosa e despretensiosa. 

A viagem ao passado terminou depois que eu visitei as pessoas que fizeram parte de minha primeira infância. Em minhas lembranças, olhei cada um nos olhos, sorri, disse coisas sem falar e me emocionei com elas. Todas isso aconteceu durante aquele profundo sono, na tarde de um domingo de Maio, depois da macarronada. Ao acordar, fiquei na cama por cerca de duas horas, meditando sobre o sonho e refletindo sobre a vida. Como certas coisas marcam nosso ser!?

Conclusão
Naquele dia, tempo e lugar onde o sonho me levou, foi o dia em que eu beijei Tereza. Ali se inaugurou em minha mente um novo caminho neural, que foi reforçado ao longo da vida. Eu era um piá genioso, teimoso (quem não é com três anos de idade?), e eu continuo sendo. Nunca fomos violentos, e a única arma que conheci na infância é o que hoje chamamos de bulling. A única forma de ir a forra com alguém era chamar de apelido e “inticar”. No dia seguinte ao beijo, na primeira pirraça que eu fiz para meus irmãos, passei a ouvir um sonoro “Deja beija Tereza!”. Convivi com a família de Tereza e com ela, é claro, até meus sete anos. Eu não lembro quantas vezes “beijei Tereza” e, quando fiz, foi na mais pura inocência. Diferente de hoje, naquele tempo não existia malícia com tão pouca idade. 

Esse capítulo de minha infância nunca foi, nem de longe, algo limitante. No fundo, eu me sentia prestigiado quando alguém dedicava essa musica a mim. Sentia na verdade que se tratava de uma forma de carinho. A maioria das vezes era motivo de graça e alegria, embora eu me mantivesse sisudo para bancar de durão e não admitir que eu fosse “O Cara que Beijou Tereza”. 

Gosto muito de beijar e tive o privilégio de beijar muitas mulheres ao longo de meu quase meio século de vida. Algumas nem o nome eu lembro, outras nem do beijo eu lembro. Mas hoje, pela primeira vez eu assumo: sou “O Cara que beijou Tereza”. E faria tudo de novo, inclusive com aquela musiquinha que ainda ouço quando passeio no meu “eu” mais profundo. Na verdade eu sou o “Deja Beija Tereza”, porque, lá no fundo, para mim toda mulher é (uma) Tereza.

terça-feira, 19 de maio de 2015

Viagem no Grande Espírito

Sentir a Mãe Terra e o Grande Espírito que se move sobre as águas, vales e montanhas, é a maior recompensa nesta vida. Se tudo der errado... se dinheiro eu não ganhar... se desprezo eu encontrar... se de tudo eu me frustrar - mesmo assim a vida vai ter valido a pena.


sábado, 16 de maio de 2015

Pedras de Moinho

Dejanir Haverroth

A humanidade vive o momento mais contraditório de toda a sua existência. Como os meios proporcionados pela tecnologia, qualquer pessoa, por mais simples que seja, pobre ou rica, habitante de uma metrópole ou de uma floresta, consegue se comunicar com pessoas de quaisquer parte do planeta, de forma individual ou coletiva. 

Com essa mesma tecnologia as pessoas tem acesso a informações de todas as ciências: história, biologia, matemática, botânica, artes, enfim. Basta imaginar, clivar, e em frações de segundos tem o mundo em suas mãos.
                                                                                                                 
A evolução é tanta que a cada dia surgem mais autodidatas e mais pessoas se entediam com as ladainhas das academias e os conteúdos frios dos livros empoeirados das bibliotecas das faculdades. As informações estão acessíveis com recursos audiovisuais e professores, de forma gratuita e interativa, a um toque do dedo.

Com tantas informações, tantas possibilidades, as pessoas estão com dificuldade para filtra-las e fazer bom uso do que aprendem. O contato com o mundo externo está desconectando as pessoas delas mesmas e de quem está mais próximo. Muitas vezes conversamos com pessoas distantes e ignoramos alguém que está do nosso lado.

Está se perdendo a referência do verdadeiro sentido da comunicação. Aquela que conecta as pessoas, primeiro com elas mesmas, depois com o meio, os próximos e assim por diante. Muitas pessoas já se esqueceram da comunicação plena – desde o sentir-se, ouvir-se, tocar-se e ver-se. Ainda mais esquecido ficou o sentir o outro, ver o outro, ouvir o outro.

As vezes precisamos ir longe, na história, nossa própria história, para buscarmos referências perdidas.

Pesquisando em minhas memórias, lembrei-me de quando eu era menino, no interior do Paraná. Em Nova Prata do Iguaçú. Morávamos em um sitio, e cultivávamos quase tudo o que consumíamos. Éramos em seis irmãos, quatro meninas e dois meninos. Eu era o caçula dos homens, e uma de minhas obrigações semanais era ir ao moinho levar milho para fazer fubá. A polenta era uma das bases de nossa alimentação.
O moinho ficava mais no interior ainda. Pendurado em um penhasco, na beira de um córrego, perto do Rio Jaracatiá - a distância de três quilômetros de casa. Cada viagem parecia uma odisseia, e demorava quase uma eternidade, pelo peso do saco de milho que eu transportava em uma carriola.

Os donos do moinho eram Dona Andressa, sua filha Pedra e o genro Olegário. Pessoas muito simples, amorosos e, ao meu ver de menino, perfeitos. Andressa era bem idosa, Pedra e Olegário eram de meia idade, uns 50 anos cada. Eles viviam muito bem naquele lugar que parecia encantado. Um verdadeiro cenário de filme do Hary Potter.

Dona Andressa era uma poderosa curandeira. Temida pelos lobisomens que circundavam a região. Ela contava as histórias de surras que deu em lobisomens em seus confrontos. Fazia chás, xaropes, rezas e outros rituais de curas.

Seu Olegário era tranquilo, falava pouco e enxergava com apenas um olho. Pedra mancava de uma perna e falava o tempo todo. Eles atendiam as pessoas que chegavam com as moagens (cereais para fazer farinha) com o mesmo carinho e simplicidade que a vida lhes deu como essência.

O movimento era pouco, e à velocidade do tempo. De vez em quando chegava um viajante a cavalo ou a pé, trazendo ou buscando algum produto de mó. Olegário conversava comigo com toda a atenção e simpatia e eu ficava por ali todo o tempo possível, brincando ou ajudando em alguma coisa. Depois de transformado o milho em farinha e eu ia embora. Chagava no moinho pela manhã e saia no fim da tarde. A velocidade do tempo era outra. A vida acontecia o tempo todo e ninguém tinha pressa.
Pouco antes de eu deixar minha terra natal e vir embora para o norte, fui outra vez no velho moinho levar a moagem. Naquele dia a viagem demorou mais. Fiz parada para mergulhar no velho açude do Nilo, colhi laranjas temporãs nos laranjais à beira da estrada e passei na casa da professora Sonilde para beber água e descansar. Eu tinha 13 anos, quase 14 - era mês de maio, e meu aniversário seria em junho. Era frio de início de inverno. Foi uma das viagens em que eu menos me preocupei com o tempo - cheguei em casa já era escuro e, naquela noite, por conta de minha demora, uma sopa substituiu a polenta no jantar.

Ainda no moinho, enquanto eu esperava a moagem ficar pronta, aproveitei para me despedir daquele lugar. Eu desconfiava que seria a minha última passagem por aquele caminho, naquela fase de minha vida. Minha família estava se preparando para ir embora dali, para o sertão do Mato Grosso. Seu Olegário e Pedra me receberam muito bem, como sempre – Dona Andressa já havia cumprido sua missão nessa terra e partido, deixando muitos afilhados e boas lembranças nos corações das pessoas daquele lugar.  

Naquele dia, lembro bem, ajudei no moinho e a dar comida aos porcos. Em troca ganhei almoço. Era galinha com polenta e feijão. Andei nos penhascos, nos canais de água que moviam as pedras do moinho, desci até a grota do pequeno rio, observei as pombas saleiras e as juritis - sevadas pelos restos das moagens - e procurei frutas silvestres (não encontrei nada. Não era tempo). Embora tudo isso fosse rotina em minhas visitas ao moinho, naquele dia foi especial. Guardei cada imagem, cada som e cada cheiro ou sabor em minha memória. Minha inteligência emocional parecia saber o que, e porquê eu estava fazendo.

Já era quatro da tarde, e eu conversava com seu Olegário, ao lado das pedras do moinho - que rodavam sem parar, tão próximas que pareciam juntas, embora nem se tocassem. Neste momento Pedra chegou com um bule de chá de cidreira com leite e pequeno cesto com pão de milho coberto com banha de porco e açúcar.

Em volta das pedras do moinho e comendo o lanche, o velho casal começou a falar sobre a vida e os relacionamentos. Eles sabiam da mudança. Que íamos para o sertão. Eu mesmo tinha contado.

Eles pediram para eu observar as pedras de moinho. Elas eram enormes e a roda d’agua que as moviam parecia uma roda gigante. Como as pedras se comunicavam? Como transformavam milho em fubá e trigo em farinha? Como separavam o amido e a pele com tanta precisão? Como estavam tão próximas e não se tocavam, não se feriam?  De tão próximas as pedras, a farinha saia muito quente depois de passar pela mó, quase torrada, por isso a polenta daquele tempo era mais saborosa do que as de hoje.

Realmente é incrível como as duas pedras trabalham tão próximas. Uma permanece fixa, na base, e a outra roda sobre ela. Se chamam “Mó de Cima” e “Mó de Baixo” - uma deitada sobre a outra. A de cima tem um buraco bem no centro, onde é despejado, aos poucos, os grãos que passam entre as pedras em movimento.

Para se fazer a farinha, é preciso passar, pelo menos, duas vezes o cereal entre as pedras. Na primeira vez as pedras ficam um pouco mais afastadas, cerca de cinco milímetros. Nesta fase é separada a pele e o amido do grão. Na segunda passagem a distância entre as pedras é quase imensurável. Quando o produto sai pelo espaço já é farinha, pronta para a polenta.

Como alguém consegue fazer uma coisa dessas? Fazer duas pedras enormes trabalharem assim, com tanta harmonia? Precisa ter muita inteligência, comentei admirado.

Apesar de frequentar aquele lugar anos seguidos, eu não tinha parado para meditar a respeito. Durante uma hora inteira eu ouvi Pedra e Olegário explicarem como as pedras eram feitas, tão perfeitas.

“As pedras são escolhidas, em duplas - tamanhos e consistências semelhantes. São cortadas e deixadas parecidas em tamanho e forma. Depois são colocadas uma sobre a outra, na mesma posição em serão usadas no moinho, então começa o período de ajuste.
Elas são esfregadas uma na outra, de forma que o desgaste corrija as diferenças. Uma corrige a imperfeição da outra para que possam se encaixar. Para que fiquem perfeitamente ajustadas. Enquanto houver “desajustes”, não estarão prontas para o moinho. As duas pedras sofrem com o atrito, mas no final se moldam. Cada uma perde um pouco de si para dar lugar a imperfeição do outro. Cada uma perde um pouco da sua imperfeição para se moldar à outra.
E se um dia uma das pedras se quebrar, a outra não poderá ser usada sem que passe pelo mesmo processo com outra pedra, que por ventura também perdeu sua parceira. Dessa forma, sempre que for fazer um moinho, é preciso de duas pedras que se encaixam perfeitamente.”

Depois dos sábios ensinamentos, terminamos de fazer o lanche da tarde, peguei minha moagem e me preparei para ir embora. Antes de eu partir, Pedra me falou: “Sei que vai pra longe, talvez nunca mais te veja. Mas não se esqueça da lição das pedras do moinho - trata-se de uma das mais antigas lições da sabedoria humana sobre relacionamentos”. Na época não entendi direito, mas acatei o conselho e parti.

A vida seguiu. Fui para o Mato Grosso, depois Rondônia e de Rondônia para o mundo. 35 anos se passaram, cresci em estatura e em ciência, me casei seis vezes e tive cinco filhos – o caçula já é quase adulto (17 anos). O tempo passa e não me canso de aprender. Estou na fase de ruminar minhas memórias e reaprender. Ver o que ficou guardado sem digerir.

Meu pai Lucas costumava dizer que a vida é de fases, e a velhice serve para repensarmos a vida. Muita coisa se passou rápido demais e não aproveitamos. Muitas informações colocamos na mente sem tirar lições. O velho tinha razão.

  Nesta semana me peguei pensando em Dona Andreza e no moinho de pedra. Fiquei nostálgico e fiz um mergulho profundo em minhas memórias, consegui sentir o cheiro do fubá quente, recém moído. Senti o sabor das laranjas temporãs de maio. Parece que senti no corpo a água fria do açude do Nilo e a dor no dedão do pé sem a unha, depois de um tropeção nas pedras dos caminhos de Nova Prata.

Agora, as lição das Pedras de Moinho fazem muito sentido para mim. Muitas vezes, nas relações afetivas, profissionais, familiares e sociais, temos que ceder um pouco. Deixar desgastar algum comportamento, crenças e até valores nossos, para darmos lugar aos comportamentos, crenças e valores dos outros. Não importa se somos a “mó de cima” ou a “mó de baixo”, precisamos nos entregar ao molde para que a relação seja harmoniosa. 


Pedras de Moinho - Você sabe o que é uma pedra de moinho? Ou melhor, “Pedras de Moinho”? Assim mesmo, no plural (Mó de baixo e Mó de cima). Elas são produzidas em duplas e assim trabalham. Há muitos anos, muita antes da energia elétrica, da indústria e da tecnologia, o homem já fazia farinha de com cereais, como trigo, milho e sorgo em moinhos de pedra, movidos por força do homem, por animais, vento ou água. Não há registro preciso dessa invenção, mas acredita-se que existe há mais de seis mil anos.